quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma Lenda viva do xadrez Brasileiro que ocupa a 3ª colocação no Brasileiro 2011



Henrique Mecking, o Mequinho é o maior jogador de xadrez brasileiro de todos
os tempos. Teve seu auge no ano de 1977, quando foi considerado o terceiro
melhor jogador do mundo, superado apenas por Anatoly Karpov e Viktor Korchnoi.
Uma doença grave - a miastenia, que compromete seriamente o sistema nervoso e
os músculos - fez Mequinho abandonar as competições em 1978. No estágio mais
grave da doença passou a frequentar os cultos da Renovação Carismática Católica.
Ao se recuperar, passou a dedicar-se integralmente à religião, mas sempre
alimentou a esperança de voltar a jogar xadrez.
Mequinho voltou a jogar em 1991, num match de 6 partidas contra o GM Predrag
Nikolic. Demonstrou um jogo muito forte, mas por estar longo tempo parado, foi
vencido pelo iugoslavo (1 derrota e 5 empates). Em 1992, jogou um match contra o
GM Yasser Seirawan, mas depois
desta nova derrota, afastou-se por longo tempo.
Em 2000, retornou aos tabuleiros para disputar um match contra outro grande
mestre brasileiro Giovanni
Vescovi
, na época tricampeão nacional.
Mequinho mostra que é ainda um jogador de muita força, apesar de dedicar a
maior parte de seu tempo à sua fé religiosa. Uma prova disso foi em 2001, no
Magistral Najdorf - Argentina, ter empatado com Judit Polgar, a maior enxadrista da história, e
também com o seu antigo adversário Victor Korchnoi.
Mequinho também participa de torneios online, como os realizados no ICC
(Internet Chess Club). Nele jogam cerca de 25000 jogadores de alto nível, sendo
que 200 deles são grandes mestres, sendo que por mais de 10 vezes Mequinho
chegou a ser o primeiro do ranking.
Em 2003, a convite do mestre internacional Alexandru Sorin Segal, participou dos Jogos
Regionais, representando a cidade de Ilha Solteira e ajudando a equipe a ser
campeã, classificando-a para os Jogos Abertos, onde se tornaria vice-campeã.
Desde 2005 vem disputando os Jogos Regionais e os Jogos Abertos pela cidade
de Taubaté, onde reside.
Atualmente Mequinho é o número 4 do Brasil, com uma pontuação de 2590 no
rating FIDE de novembro de 2011.
Títulos obtidos
1959 – Vice-campeão de São Lourenço do Sul/RS;
1964 – Campeão gaúcho absoluto;
1965 – Campeão brasileiro absoluto;
1967 – Campeão brasileiro absoluto e sul-americano absoluto. Recebe o título
de mestre internacional (MI);
1970 – Vencedor do Torneio Internacional de Bogotá, Colômbia;
1971 – Ganhador do Torneio Internacional de Vrsac, Iugoslávia;
1972 – Recebe o título de grande mestre internacional (GM), campeão
sul-americano;
1973 – Vencedor do Torneio Interzonal de Petrópolis/RJ, sendo classificado
para o Torneio dos Candidatos, última eliminatória do Campeonato Mundial;
1975 – Segundo colocado no Torneio Internacional de Las Palmas,
Espanha e, também, segundo colocado no Torneio Internacional de Manila,
Filipinas;
1976 – Vencedor do Torneio Interzonal de Manila, Filipinas, classificando-se
novamente para o Torneio dos Candidatos;
1978 – Terceiro melhor jogador de xadrez do mundo pelo ranking da Federação
Internacional de Xadrez (ELO 2635);
2006 - Vencedor do "2nd Festival Scacchistico Internazionale città di Lodi"
(torneio aberto de Lodi)
Curiosidades
Em 1965, aos 13 anos, quando venceu pela primeira vez o campeonato brasileiro
Mequinho jogava a penúltima rodada com Olício Gadia, quando a partida foi suspensa, então
Gadia, convicto que o garoto Mecking não se arriscaria em uma sessão de
suspensas já que o empate lhe garantia título, falou:
-- Proponho o empate!
-- Proponho que o senhor abandone!! - exclamou Mequinho.
O riso foi geral entre os assistentes. A seguir, o garoto demonstrou com
presteza como ganharia o final. Gadia, muito sem jeito, abandonou na hora.
Em 1972, quando enfrentou o ex-campeão mundial Tigran Petrosian no torneio de San Antonio,
Mequinho descobriu que tinha que lutar dentro e fora do tabuleiro. O grande
mestre soviético "só fazia silêncio quando era a vez dele jogar. Toda vez que eu
tinha que pensar ele estava cutucando a mesa com o joelho e o tabuleiro com o
cotovelo para chacoalhar a mesa. Se não fosse suficiente para incomodar-me,
Petrosian ficava fazendo ruídos, derrubando café, e tudo com ritmo variável. E
rolando uma moeda na mesa."
Depois de reclamar três vezes com os árbitros, Mequinho resolveu fazer
barulho quando era sua vez de jogar. Petrosian calmamente desligou seu aparelho
auditivo e ganhou a partida.